Indulgências – ainda existem?

Em 31 de Outubro de 1522 Martinho Lutero pregou as suas 95 teses à porta de uma igreja em Wittenburg, protestando contra a venda abusiva de indulgências para financiar a construção da nova basílica de São Pedro no Vaticano. Muitos católicos assumem que a prática da indulgência cessou, se não, pelo menos por ocasião do Concílio Vaticano II. No entanto, em 1967 o Papa Paulo VI emitiu uma Constituição Apostólica “para dar maior dignidade e estima ao uso das indulgências”. Normas foram emitidas no ano seguinte.

Pau Francisco © Mazur/catholicnews.org.uk

Pau Francisco emitiu uma indulgência aos jovens que assistiam ao Dia Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013. Ele vê a concessão de indulgências como parte integrante do Ano da Misericórdia.

Então o que é uma indulgência?

As indulgências continuam a fazer parte da vida da Igreja porque se relacionam com a condição humana, com a misericórdia de Deus e com o papel da Igreja na dispensação dessa misericórdia.

A separação de Deus, que é a consequência do pecado, é tratada pela absolvição concedida na Confissão Sacramental. Mas outras conseqüências ainda podem permanecer. Tradicionalmente, a Igreja tem falado do “castigo temporal devido ao pecado”, que podemos encontrar tanto neste mundo como no Purgatório. Não se trata de Deus infligindo castigo, mas sim das conseqüências naturais que fluem do pecado.

Indulgências são uma ação da Igreja que se baseia nos méritos infinitos de Cristo, e os méritos dos santos, conquistados aos olhos do Pai. Uma indulgência é uma remissão perante Deus do castigo temporal devido a pecados cuja culpa já foi perdoada”. O Papa Francisco coloca as coisas assim: “Apesar de perdoado, as consequências conflituosas do pecado permanecem… o pecado deixa um efeito negativo na forma como pensamos e agimos. Mas a misericórdia de Deus é ainda mais forte do que isso. Ela se torna indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, sua Igreja, alcança o pecador perdoado e o liberta de todo resíduo de pecado, capacitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de cair de novo no pecado.’

Se isto é ‘indulgência do Pai’, por que a Igreja impõe condições?

As indulgências nos lembram que a misericórdia é puro dom de Deus, não merecido de nossa parte. No entanto, a Igreja preocupa-se em demonstrar que as indulgências não são algo mecânico ou supersticioso. Para o Papa Paulo VI, elas foram o meio de cultivar um “espírito de oração e penitência” e a prática das virtudes teologais. As indulgências estão ligadas a algum acto de piedade ou devoção, que são um sinal da nossa vontade de receber o perdão. Estão sempre ligadas à fé, e é por isso que a Igreja pede aos que ganham indulgências que sejam devidamente dispostos, que rezem e recebam os sacramentos.

A Indulgência Jubilar

Quem pode ganhar e beneficiar da indulgência?

Ainda católica em estado de graça. Devem ter a intenção de ganhar a indulgência. A indulgência pode ser para a pessoa interessada ou ser aplicada por eles em benefício das almas santas.

Quais são as condições?

O ato especificado pelo Santo Padre para o Ano da Misericórdia é “uma breve peregrinação à Porta Santa”.

As condições normais ligadas a uma indulgência são:

  • Recer a Sagrada Comunhão;
  • Celebrar o sacramento da Confissão; e
  • Oração pelo Papa. Isto é satisfeito rezando um Pai Nosso e uma Ave-Maria pelas intenções do Papa.

Pau Francisco acrescentou mais duas condições:

  • Recitando o Credo; e
  • Uma reflexão sobre a misericórdia. Embora de modo algum impeça outras reflexões sobre misericórdia, esta condição pode ser satisfeita rezando a Coleta para o Domingo da Misericórdia Divina:

‘Deus da misericórdia eterna, que na própria recorrência da festa pascal acende a fé do povo que fizeste teu, aumenta, nós rezamos, a graça que concedeste, para que todos possam agarrar e compreender corretamente em que fonte foram lavados, por cujo Espírito renasceram, por cujo Sangue foram redimidos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.’

ano da porta da misericórdiaQuanto tempo tenho que cumprir as condições?

As condições devem ser satisfeitas ‘vários dias antes ou depois’ de visitar a Porta Santa. Este período é geralmente entendido como cerca de uma semana antes ou depois da visita. Se possível, é apropriado receber a Sagrada Comunhão e rezar as orações no mesmo dia da visita à Sagrada Porta. A confissão pode ser em outro momento, e não precisa estar na Catedral ou igreja na qual visitamos a Santa Porta.

É possível ganhar apenas uma indulgência por dia, mas de outra forma podemos obter a indulgência durante todo o Ano da Misericórdia.

Não posso visitar a Sagrada Porta. Estou impedido de obter a indulgência?

Não. O Papa Francisco deseja que a indulgência possa ser obtida o mais amplamente possível. Os doentes e os que se encontram em casa podem ainda receber a indulgência recebendo a Sagrada Comunhão, ou assistindo à Missa ou à oração comunitária – mesmo através dos vários meios de comunicação.

Os prisioneiros podem receber a indulgência na sua capela da prisão. No caso deles, a porta da sua cela pode servir como Porta Santa.

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